Os leigos sempre se medicam por conta própria, já que de médico e louco todos temos um pouco, mas esse problema jamais adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil como atualmente. Qualquer farmácia conta hoje com um arsenal de armas de guerra para combater doenças de fazer inveja à própria indústria de material bélico nacional.
Cerca de 40% das vendas realizadas pelas farmácias nas metrópoles brasileiras destina-se a pessoas que se automedicam. A indústria farmacêutica de menor porte e importância retiram 80% de seu faturamento da venda “livre” de seus produtos, ou seja, das vendas que são realizadas sem a presença de receitas médicas.
Diante desse quadro, o médico tem o dever de alertar a população para os perigos ocultos em cada remédio, sem que, necessariamente, faça junto com essas advertências uma sugestão para que os entusiastas da automedicação passem a gastar mais em consultas médicas.
Acredito que a maioria das pessoas se automedica por sugestão de amigos, leitura, fascinação pelo mundo maravilhoso das “novas” drogas, ou simplesmente para tentar manter a juventude. Qualquer que seja a causa, os resultados podem ser danosos.
Segundo o clinico geral, Luiz Felipe Camargo, um dos motivos que levam as pessoas a ingerirem medicamento sem consultarem um especialista é a ansiedade de resolver o problema da maneira mais rápida. Outro motivo seria a situação do serviço de saúde no país. Muitos pacientes não conseguem ser atendido nos hospitais, por isso tentam se curar com o que está ao alcance: farmácia e indicações de remédios por conhecidos. Afirma Luiz.
Um dos remédios mais vendidos sem a presença de receitas são os anabolizantes e os remédios para emagrecer. É comum, por exemplo, que um simples resfriado ou uma gripe banal leve um brasileiro a ingerir doses insuficientes ou inadequadas de antibióticos fortíssimos, reservados para infecções graves e com indicação precisa. Quem age assim está ensinando bactérias a se tornarem resistentes a antibióticos. Além disso, esses remédios podem causar alergias e intoxicação.
Um dia, quando realmente precisar do remédio, este não funcionará. E quem não conhece aquele tipo de gripado que chega a uma farmácia e pede ao rapaz do balcão que lhe aplique uma “bomba” na veia, para cortar a gripe pela raiz? Com isso, poderá receber na corrente sangüínea soluções de glicose, cálcio, vitamina C e produtos aromáticos, sem sequer saber dos riscos que estão correndo devido ao fato da entrada súbita destes produtos na circulação.
A auto-medicação pode trazer danos sérios à saúde, o maior risco é mascarar a doença. Assim quando a pessoa resolver ir ao médico, o problema já estará avançado e serão necessários remédios fortíssimos para que a situação seja controlada.
Para diminuir a prática da auto medicação, são necessárias varias mudanças, como: melhorias nos sistemas de saúde, aumento da fiscalização nas farmácias e conscientização das pessoas.
Dica: ao comprar um medicamento e ao guardá-lo, necessitam de alguns cuidados e algumas observações. Em uma matéria publicada no youtube, essas dúvidas e demais precauções poderão ser esclarecidas ao consumidor.
Obrigada…



